Roça mecânica de matos
01 Abr 2022
Roça mecânica de matos
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Crónicas de campo #12

Na crónica do mês vimos falar-lhe de intervenções mecanizadas, de roçar matos, uma abordagem por vezes benéfica e necessária para uma boa gestão das áreas.

A decisão de roçar áreas com uma perspectiva de restauro de ecossistemas deve ser ponderada com os seus riscos e benefícios para evitar o efeito contrário e indesejável, isto é, a degradação ecológica.

Na visão de conservação, roçar um ecossistema florestal tem como principais objetivos criar descontinuidades e controlar o porte e densidade dos arbustos e lianas, por vezes de comportamento mais mediterrânico e por isso também pirofitico (= fácil ignição) como é o caso das silvas, do tojo ou das giestas. Mantendo-se estes núcleos controlados, cria-se espaço para a expansão de uma maior diversidade de regeneração autóctone nas clareiras e diminui-se o risco de as plantações ficarem cercadas e a curto prazo se perderem, dado o crescimento rápido dos matos.

Para melhor ilustrar o referido, vejamos dois possíveis cenários de intervenção:

A) Degradação Ecológica Resultado do Roçar Mecânico

Não haver reconhecimento prévio de terreno: não definir limites de intervenção e identificar vegetação existente com valor de conservação;

Falta de preparação para a intervenção: não sinalizar áreas a roçar e áreas a não roçar com regeneração nativa importante ou plantação de autóctones;

Resultado: roçar indiscriminado da vegetação existente, incluindo o corte e pisoteio de plantações ou regeneração nativa importante, que pode levar a danos irreversíveis como aumentar a mortalidade desses indivíduos, futuro crescimento deformado e até à sua extinção no local. Frequentemente, a deformação das árvores e arbustos nativos também pode comprometer a longo-prazo o potencial de criar microclima na área, dado as copas e a sua sombra ficarem danificadas e, se perder a sua eficácia no controlo natural de invasoras que facilmente podem regressar às clareiras intensamente desarborizadas pela intervenção.

B) Restauro Ecológico Resultado do Roçar Mecânico

Identificação dos núcleos densos de matos a desbastar;

Reconhecimento dos valores de conservação a preservar: plantações e flora nativa sinalizadas e visíveis, se necessário com manutenção manual de matos previamente feita num raio até 2 metros de diâmetro em torno (= zona tampão de proteção);

Resultado: roçar seletivo da vegetação existente, assegurando a salvaguarda da vegetação com interesse a conservar, diminuído a carga de combustível na área e enriquecimento do solo com o retorno de matéria orgânica do material roçado depois de empilhado e decomposto.

No Parque Natural de Sintra-Cascais, tem sido uma prática regular de gestão das áreas conciliar o trabalho de desenraizamento manual com a roça mecânica dos matos existentes. As intervenções mecanizadas têm sido planeadas em conjunto e com o apoio operacional das equipas de sapadores locais, sendo de destacar a sua intervenção nas áreas da Peninha, do Monge e da Azóia essencialmente para controlar silvado, fetos, canas e bambu. Estas intervenções têm sido feitas no mínimo com uma frequência anual e sido determinantes para assegurar a elevada taxa de sobrevivência das plantações, potencial de regeneração de autóctones, abertura de novas clareiras para futuras plantações ou até para aceder a núcleos densos e isolados de exóticas a controlar.

Roça mecânica de matos

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