O medronheiro e o charme do outono
30 Nov 2020
O medronheiro e o charme do outono
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Crónicas de campo #7

Este grande arbusto ou, para alguns, pequena árvore, apesar de vistosa o ano inteiro, encontra no outono-inverno o momento de glória nos nossos bosques, quando a maioria das plantas entra em dormência vegetativa, vestindo-se de cachos floridos esbranquiçados e de carnudos frutos amarelo-avermelhados.

Apesar de nativa do atual mediterrâneo a sua origem é longínqua, remontando a dezenas de milhares de anos quando Portugal Continental tinha um clima subtropical, estável, sem secas, nem geadas sazonais. No entanto, tem-se revelado uma espécie resiliente no processo evolutivo, adaptando-se hoje em dia a crescer tanto em carvalhais de clima húmido, como em sobreirais mediterrânicos.

A sua capacidade de adaptação, torna possível o seu crescimento em solos degradados, expostos ou até próximos do mar, tendo alguma facilidade em regenerar pela raiz em áreas ardidas. Ainda assim, são condições adversas que podem levar a um crescimento mais lento, formação de flores e frutos tardios, em comparação com a colonização em solos mais orgânicos e clima húmido associado a alguma insolação.

O medronheiro é uma Ericaceae, sendo da mesma família das urzes, verificando-se semelhanças na forma e tonalidade nas flores de maior dimensão e na textura escamosa e avermelhada dos troncos múltiplos.

É um arbusto interessante para incluir no restauro de habitats, não só pela sua capacidade adaptativa já mencionada, como também pelos recursos diversos que proporciona:

  • Floração tardia (Outubro/Novembro) interessante para diversos polinizadores;
  • Frutificação longa (Outubro/Fevereiro) das flores do ano anterior, interessante para pequenos pássaros e mamíferos numa altura em que há escassez de alimento de outras plantas;
  • Copa de folhagem densa e persistente interessante para a nidificação de pássaros e eficaz para ocultar as crias de predadores e para alimentar a lagarta da borboleta-do-medronheiro que aí põe os seus ovos;
  • Crescimento ondulado em torno de árvores de maior porte como os sobreiros/carvalhos, importante para proteger e criar sombra para os seus troncos, diminuir o stress hídrico e ataque de animais como veados e javalis que destroem a sua casca com as hastes.

Nas áreas do Parque Natural de Sintra-Cascais tem sido um espécie amplamente plantada e de regeneração natural frequente, particularmente abundante na Estrada da Serra e na Azóia, revelando resultados de sucesso com plantas bem enraizadas, nalguns casos já em floração e frutificação.

O medronheiro e o charme do outono

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